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Quarta, 18 de Outubro de 2017

A linha do tempo da artes circenses

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Escrito por Circonteúdo Seg, 19 de Outubro de 2009 15:45

por Erminia Silva

Se entendermos que as histórias do circo são as histórias dos circenses fazendo circo, pressupõe-se, também, que não existe “A História do Circo”, no singular, mas sim no plural. Assim, o conjunto de várias histórias representa os vários momentos de produção das artes circenses. Múltiplas serão também as linguagens artísticas herdadas e produzidas por uma multidão de artistas anônimos desde as primeiras manifestações sociais dos homens, mulheres e crianças, aonde quer que eles estivessem e estejam.

É quase senso comum, ao se pensar sobre o processo histórico de constituição de um espetáculo artístico que se denominou de “artes circenses”, fazer referência quanto as suas origens remetendo ao tempo da Grécia antiga, dos acrobatas chineses e do circo romano. Não estão equivocados os trabalhos que vão até esses remotos períodos históricos à procura das chamadas “origens” do espetáculo artístico denominado de circo, do século XVIII.

Em qualquer sociedade e período histórico deparamos-nos com artistas, fossem eles trovadores, poetas, atores, acrobatas, cantores, dançarinos, entre muitos outros. Alguns dos artistas, em algumas sociedades e contextos históricos específicos, realizavam exercícios acrobáticos ou atividades artísticas com finalidades religiosas; outros, simplesmente por prazer, numa relação mesmo dionisíaca. Até mesmo na recente pesquisa realizada por Alice Viveiros de Castro, 1 sobre os desenhos rupestres encontrados no Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí – Brasil), que se pressupõe tenha em torno 27.000 anos, foi-nos apresentado um conjunto de imagens denominado de “Acrobatas do Boqueirão da Pedra Furada”, por tratar-se de desenhos que sugerem claramente ações acrobáticas, de equilíbrios com dupla altura, de roda de dança, etc.

Mas, para não correr o risco de anacronismos, até a década de 1750, o encontro de várias linguagens artísticas não eram ainda denominadas de circenses. Somente no final da década seguinte, por volta de 1768, é que diversos grupos de artistas existentes na época: acrobatas, atores, cantores, músicos, dançarinos, prestidigitadores, ao se cruzarem com grupos de cavaleiros que dominavam a arte de adestramento de cavalos que se exibiam nas praças públicas, hipódromos, anfiteatros, iniciaram um processo de construção de um espetáculo que posteriormente se denominou de circo e, portanto, se conformaram como uma categoria de trabalhadores artistas circenses.

Foi do encontro desses dois grupos, da fusão de ambos, que se uniu os opostos básicos da teatralidade, o cômico e o dramático; associou-se a representação teatral, dança, música, bonecos, magia, a pantomima e o palhaço com as acrobacias de solo e aéreo com ou sem aparelhos, o equilíbrio, as provas eqüestres e o adestramento de animais em um mesmo espaço. Esta é a base do circo que migrou para diversos países, organizando diferentes circos, marcando relações singulares estabelecidas com as realidades culturais e sociais específicas de cada região ou país. A transmissão oral do saber e a união de pontos básicos de teatralidade e destreza corporal também fazem parte da história da formação do que se chama de “dinastias circenses”.

Se houvesse a possibilidade de perguntarmos a um acrobata chinês de três mil anos atrás se ele era circense, ele não entenderia a nossa interrogação. Vale o mesmo para o artista que trabalhava no circo romano, os que foram desenhados na Serra da Capivara.

É somente a partir do final do século XVIII que vários grupos de artistas auto se denominaram circenses. É claro que tiveram alguns acontecimentos que geraram essa auto-identificação, mas o importante é frisar que para dentro dos vários grupos formados, das várias companhias itinerantes que se construiu e se chamou de circo, o processo de transmissão dos saberes que haviam herdado passou por mudanças significativas de continuidade. A teatralidade circense mostrou-se rizomática, foi construindo novos percursos, desenhando novos territórios a cada ponto de encontro, em cada continente, país, cidade, bairro, vila, que operavam como resistências e alteridades, com os quais essa linguagem dialogou e produziu diferentes configurações nesse campo de saber e prática. Aliás, o novo foi e é um dos elementos constitutivos do processo histórico das artes circenses.

Deste modo, nessa LINHA DO TEMPO DAS ARTES CIRCENSES, iremos apresentar imagens ou gravuras de períodos anteriores ao século XVIII, no sentido de exemplificarmos parte do que conseguimos levantar das distintas influências artísticas recebidas e que faziam parte dos saberes e fazeres dos muitos artistas presentes no final daquele período. Parte não o todo e nem uma ou a “verdade” sobre o passado.

Quando estabelecemos um momento histórico como ponto de partida para o trabalho, há que se entender que é sempre uma escolha, pois não entendemos a história como uma sucessão de fatos, ela não é linear. Num primeiro momento, escolhemos começar apresentando os processos de construções da linguagem circense e as várias heranças presentes no conjunto de saberes históricos artísticos no século XVIII, partindo das várias influências existente desde os séculos XIII e XIV.

Por que iniciamos nesse período? Poderíamos iniciar em qualquer momento da história que encontraríamos elementos artísticos que irão compor o conjunto das artes circenses. Entretanto, a escolha se deveu pelo fato de que são períodos nos quais se têm processos de transformações e algumas consolidações de pequenas cidades, vilas ou aglomerados, em particular na Europa ocidental, ou seja, é possível se delinear aquilo que será constituído como o espaço urbano.

Frisa-se, também, que por questão de escolha ou na falta dela, essa LINHA DO TEMPO DAS ARTES CIRCENSES será mesmo uma parte de algumas histórias ocidentais, pois, infelizmente não foi possível, até o momento, estudar o desenvolvimento das mesmas na Índia, África, Ásia, etc.

Para finalizar, mas não menos importante, duas perguntas sempre estiveram e estão presentes como fios condutores para as pesquisas de fontes, perguntas e análises sobre as mesmas:

1.O que significa ser artista, em geral e circense em particular, em cada período histórico estudado?

2.Nós, como sujeitos implicados com as artes circenses, em que momento do processo histórico estamos inseridos, hoje, tendo em vista a produção artística, cultural e social de um modo geral, e do circo em particular?

Para responder a essas questões é necessário entender que o processo de construção da história do circo não pode ser pensado como resultado de um único dia, hora e, principalmente, de uma única pessoa, são histórias de multidões, múltiplas, polifônicas, polissêmicas, produzidas de forma rizomática. A multidão de anônimos que produziu uma forma de espetáculo artístico que se denominou, no final do século XVIII e início do XIX, de circo, foi herdeira de outras multidões.

História não é só o passado, é o ir fazendo aqui e agora. Todos nós como protagonistas, como fazedores de história temos um diálogo constante com os saberes já produzidos e o que se está produzindo.

Assim, só conseguimos entender a LINHA DO TEMPO com contribuições de todos e todas que estão implicados com as artes do circo: artistas, artistas/pesquisadores, pesquisadores, memorialistas, familiares, aposentados, amantes do circo, e como os circenses do século XIX terminavam suas propagandas, também termino essa relação: etc., etc. e etc.

Assim, a cada quadro apresentado nessa LINHA poderá ser recheado com todas as informações, fotos, gravuras, dados, etc., que os leitores desse site quiserem enviar.

Estamos aguardando esse envolvimento e, enquanto isso, damos um chute inicial nessa LINHA DO TEMPO das histórias circenses.

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