1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>
Domingo, 17 de Dezembro de 2017

A história do Circo Sudam

PDF Imprimir E-mail

Escrito por Ricardo Reis Ter, 09 de Fevereiro de 2010 18:05

circo-sudam

O Circo Sudam

Esta obra foi desenvolvida a partir de histórias, lembranças, recordações e pesquisas a respeito do Circo Sudan, um circo que se apresentou por muito tempo no interior Paulista entre as décadas de 30 e 60, e teve muito sucesso e reconhecimento do público.

Aqui você terá a oportunidade de entender um pouco da vida no Circo de acordo com relatos de Neyd Alves Somazz, uma atriz que começou sua carreira ainda criança nas rádios de Campinas e que adentrou ao mundo do Sudan a convite de seu irmão Osmar Alves Goes, proprietário.

As histórias foram registradas por Ricardo Somazz Reis, neto de Neyd e atualmente palhaço, formado também em publicidade e propaganda e pós graduado em marketing.

Além das histórias, uma pequena pesquisa ajudou a complementar o trabalho e atestar grande parte dos fatos.

Deixemos de papo e comecemos logo a leitura...

Capítulo 1
O início, a origem


ricardo-reis

Ricardo Reis: "eterno aprendiz de palhaço”

Bem, sou Ricardo Somazz Reis, nasci em 8 de Agosto de 1983 numa família de origem Portuguesa por parte de Pai e Alemã e Espanhola por parte de Mãe.

Não cheguei a conhecer meu avô paterno, Mário Reis, uma pessoa iluminada de acordo com os relatos da família e amigos próximos. Se não me engano, foi bancário e, além disso, compositor, chegando a gravar algumas de suas músicas utilizando o codinome HEMI REIS já que na época havia o cantor Mário Reis. De acordo com o meu Pai, duas de suas músicas foram utilizadas no primeiro filme gravado na cidade de Campinas – SP por volta de 1956 “Fernão Dias – O Caçador de Esmeraldas” com as músicas “Armei minha rede” e “Chuva no Sertão”. Acredito que até hoje meu Pai tenha algumas dessas recordações guardadas em algum lugar de sua casa.

Aos cinco anos aproximadamente, perdi meu avô materno, Sidiney de Felice Somazz, um homem que lutou muito na vida para criar seus quatro filhos. Tenho algumas lembranças com ele em seu apartamento no centro da cidade de Campinas, SP. Nunca soube muito sobre a sua história, sabia que havia sido entregador e depois vendedor.

Bons tempos.

Minha avó paterna, Nair Reis nos deixou em 1992, por conta de um câncer. Deixou seus oito filhos e diversos netos até então. Lembro-me de alguns momentos em seu apartamento, também no centro da cidade, que ficava pequeno quando alguns de seus filhos apareciam, trazendo os netos para visitar. Ela foi por muitos anos, o elo de ligação entre seus filhos, fazendo com que os natais fossem mais alegres, onde todos compareciam. Depois de sua partida, esses encontros ficaram cada vez mais dispersos.

neyd-alves

Neyd Alves Somazz, que junto com sua irmã Conceição, formava a dupla "As Irmãs Alves"

Minha avó materna, Neyd Alves Somazz, até hoje nos acompanha e nos trás muito carinho e amor, além de deliciosas comidas, rs. Recentemente ganhou primeira bisneta, que veio para somar ao time de outros quatro bisnetos.

Bem, desde pequeno soube que minha avó Neyd era uma artista, tocava seu órgão e pintava diversos quadros, vasos, pratos de porcelana, etc. Lembro-me das diversas vezes em que passava os finais de semana em sua casa e ouvia suas músicas. Nos natais também, a música já fazia parte desse grande encontro, até uma de minhas irmãs começou a estudar teclado por conta desta influência. Em sua casa sempre ouvi um dialeto de origem Espanhola, usado por muitos anos por minha família, mas que hoje não é muito utilizado por minha mãe, consequentemente não utilizado por mim e por meus irmãos.

Falando um pouco sobre minha casa, sempre tivemos nossos problemas como a maioria das famílias Brasileiras, nada como ter mais quatro irmãos (três irmãs e um irmão), dois cachorros, uma bagunça pra variar, mas sempre recebemos alguns ensinamentos de meus pais. Aprendemos a ter caráter, responsabilidade, pensar no futuro, fazer o bem, ajudar ao próximo na medida do possível, sermos homens e mulheres de família, claro que como todo bom ser humano, temos nossos defeitos e manias. Nossa família sempre acreditou em Deus e teve como base os ensinamentos do espiritismo.

Meus pais desde que me conheço por gente, ajudaram em uma creche beneficente no bairro Parque Itália na cidade de Campinas. Esta creche foi construída com o objetivo de atender as crianças de baixa renda da cidade e sei que minha avó Nair Reis foi uma das pessoas que ajudaram desde o seu início. Meus pais juntamente com meu tio Alcimar Reis, sempre estiveram na diretoria e no conselho voluntariamente desde que minha avó nos deixou. Lembro-me de ter passado diversos finais de semana lá na creche ajudando meu Pai e meu Tio nos pequenos reparos da creche.

Foi também na creche que pudemos iniciar um trabalho de entrega de sopa nas ruas de Campinas para os moradores que ali vivem. Há mais de 10 anos que este trabalho existe, sendo que hoje o grupo está reduzido e é liderado por meu Tio Alcimar.

Neste projeto lembro-me de voltar para casa com uma sensação muito boa. Havia aprendido um pouco mais com esses moradores de rua, que passavam por diversas necessidades e em muitas vezes estavam mais felizes do que eu, que reclamava por talvez não estar calçando o tênis da moda por exemplo. Pude dar a mão, um abraço e conversar com aqueles que normalmente renegamos no dia a dia, desviamos o olhar, ignoramos. Também aprendi a agradecer por tudo o que eu tinha, pela família, pelo teto, pela comida. Sei que mesmo assim, em alguns momentos me esqueci de tais ensinamentos e voltei a reclamar da vida, mas a gente vai aprendendo.

Em 1994 iniciei dois projetos que também me ajudaram nesta história de vida, entrei para o movimento Escoteiro, num grupo chamado Craós localizado no clube Círculo Militar de Campinas, e fui à primeira vez numa Caravana para uma cidade localizada em Goiás chamada Cidade da Fraternidade, que faz parte do Movimento da Fraternidade (MOFRA). Em ambos os projetos pude aprender muito. No escotismo, com a sua missão de formar cidadãos para o mundo, baseado em leis escoteiras e princípios básicos de convivência, formei uma família, construí amizades que as levarei para o resto de minha vida. No MOFRA pude conhecer pessoas maravilhosas, hoje também grandes amigos, alguns como Pais e Mães postiços como brincamos quando estamos juntos.
Bem, depois de passar por diversas experiências, como as que acabo de citar, senti a necessidade de desenvolver um projeto que me trouxesse prazer e satisfação e que ao mesmo tempo eu pudesse ajudar alguém. Lembro-me de ter assistido ao filme “O Amor é Contagioso” de Patch Adams e ficar vislumbrado com a possibilidade de atuação em hospitais. Até comprei seu livro e fui a uma de suas palestras para entender como foi e como é a sua história, afinal as produções de Hollywood sempre alteram alguns detalhes.

No final de 1999 conversei muito com meu irmão mais velho, André Luis, sobre a possibilidade de começarmos a fazer alguma coisa neste sentido, utilizando a figura do palhaço como base, afinal, esta figura sempre me encantou e trouxe muita felicidade. Reunimos então algumas pessoas que tinham o mesmo objetivo, inclusive um grande amigo próximo da família, que também fazia parte do Movimento da Fraternidade e já atuava como palhaço, seja com ou sem a máscara rs. Posso até dizer que este grande amigo, Néio Lucius Penna, foi e é uma grande inspiração.

Em 2000, eu, meu irmão André e nosso amigo Néio ficamos sabendo de uma ONG na cidade de Campinas chamada Hospitalhaços. Por meio de um anúncio de jornal soubemos da abertura de novas vagas para voluntários e resolvemos nos candidatar. Nosso primeiro encontro foi na Unicamp, onde fizemos nosso cadastro e aguardamos alguns dias até sermos chamados para começar o trabalho.

ricardo-reis-maquiagem

Ricardo Reis, a primeira maquiagem de palhaço

Tive então o meu primeiro contato com a máscara do palhaço neste momento, atuando aos sábados à tarde no Hospital das Clínicas da Unicamp. Ainda sem ter bases sólidas do que é ser um palhaço, venci a grande timidez que eu tinha na época, em que ficava vermelho por qualquer motivo, principalmente ao ter contato com pessoas desconhecidas. Foi incrível como utilizei a máscara para me libertar da timidez e mostrar quem era o Ricardo naquele momento. Foi na casa do Néio que tive a primeira experiência com a maquiagem e o nariz vermelho (foto). Ele me ajudou muito a descobrir alguns detalhes em meu rosto e explicou algumas coisas sobre as tais maquiagens de palhaço existentes.

go_downBaixe o pdf e leia o texto na íntegra.
Attachments:
FileFile size
Download this file (a_historia_do_circo_sudam.pdf)a_historia_do_circo_sudam.pdf2890 Kb
 
Painel de entrevistas

jose_rubens_peq
José Rubens
Thumb_lily
Lily Curcio
thumb_chacovachi
Payaso Chacovachi
Argentina
thumb_muralla
Teatro la Muralla
Equador
thumb_museo
Teatromuseo
Chile





Erminia em entrevista no Jô

(+) entrevista na íntegra

Parceiros

As Marias da Graça (Rio de Janeiro - RJ)
Centro de Memória do Circo (São Paulo - SP)
El Circense (Buenos Aires - Argentina)
Encontro de Bastidor (Brasília - DF)
Escola Nacional de Circo (Rio de Janeiro - RJ)
Instituto de Ecocidadania Juriti (Juazeiro do Norte - CE)
Intrépida Trupe (Rio de Janeiro - RJ)
Panis & Circus (São Paulo - SP)
Teatro de Anônimo (Rio de Janeiro - RJ)