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Dicas de Leitura

 

Imagens da Educação do Corpo

Estudo a partir da ginástica francesa do século XIX
 

Carmem Soares

Autores Associados, Campinas–SP, 1998
(Coleção Educação  contemporânea) 145 págs.

 A tese de doutorado e depois livro de Carmen Soares, além de ser um material belíssimo pelas fotos e desenhos que o compõem, é uma referência de pesquisa tanto para pesquisadores ligados às ciências sociais, como particularmente para os muitos estudantes e profissionais ligados à Educação Física que têm se voltado a “aprender para ensinar circo”.   Trabalhando com a análise e compreensão do processo de desenvolvimento de uma enorme gama de práticas corporais identificada como Ginástica, durante o século XIX na Europa, a autora aponta que quando “os círculos científicos se debruçaram sobre o seu conteúdo, desejavam então aprisionar todas as formas/linguagens das práticas corporais sob uma única denominação”, que seria a Ginástica. Disto surgiu o Movimento Ginástico Europeu, um primeiro esboço deste esforço e lugar de onde partiam as teorias da hoje denominada Educação Física no Ocidente. A Ginástica passaria a ser apresentada como produto acabado e comprovadamente científico. Como o circo, nas duas últimas décadas do século XIX, surgia como a “encarnação do espetáculo moderno e seu sucesso era inegável nas diferentes classes sociais”, e os seus artistas desenvolviam toda a sorte de práticas corporais, um movimento bastante significativo dos precursores da Educação Física vai tentar estabelecer, de modo sistemático, a “negação de elementos cênicos, funambulescos, acrobáticos”, em suas práticas e ensinamentos. Encontra-se, sobretudo nos escritos da época, “uma retórica aos espetáculos próprios do mundo circense e das festas populares onde o corpo ocupa o lugar central”. Havia um esforço constante de tentarem se diferenciar das práticas corporais circenses, das feiras, das ruas, que, de acordo com Carmen Soares, eram práticas que faziam parte destes primórdios da Ginástica, (inclusive a própria aparelhagem usadas pelos circenses eram reproduzidas), mas que seus seguidores não queriam ser confundidos. Esta discussão permeia quase todo o trabalho, mas no capítulo dois, intitulado “Educação no Corpo: A Rua, A Festa, O Circo, A Ginástica”, a autora analisa particularmente estes temas, que são fundamentais para serem incluídos na reflexão dos projetos de pesquisa que pretendem ter o circo como objeto de estudo.

 

Erminia Silva


Cantores do Rádio
a trajetória de Nora Ney e Jorge Goulart
e o meio artístico de seu tempo

Alcir Lenharo


Editora da Unicamp - Campinas (SP), 1995
306 páginas


 
A indicação de leitura deste trabalho, como referência para a pesquisa sobre o processo de desenvolvimento histórico do circo no Brasil, é que ao “levantar o véu” para a produção musical dos anos 1950 e os cantores de rádio, Alcir Lenharo dedicou parte do capítulo 1 para analisar a importância que representava o espaço circense – palco/picadeiro – para a maioria dos artistas oriundos do teatro, da revista, do rádio e do disco. Naquela época, afirma o autor, “cantar no circo significava pisar o palco mais cobiçado pelos artistas do rádio e do disco, o meio mais fácil de se apresentar a públicos diversos das cidades do interior pelo país afora”. Os cantores costumavam denominar o circo de “boate de lona”, e encaravam-no como “a melhor escola de canto”, pois os recursos acústicos eram mínimos, “geralmente só um violão ao microfone” (quando tinha), exigindo do artista um exercício vocal afinado para conseguir ser ouvido por uma “platéia acordada” desde os camarotes até as arquibancadas. Acrescenta-se a isto o fato de que os palcos/picadeiros circenses do período, além de representarem importante espaço de trabalho assalariado para aqueles artistas, eram os que possibilitavam uma visibilidade daqueles cantores para o público que os ouvia através do rádio ou que comprava seus discos.

Erminia Silva

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Noites Circenses 
Espetáculos de Circo e Teatro 
em  Minas Gerais no Século
XIX

Regina Horta Duarte

Editora da Unicamp, Campinas (SP)  1995 
279 PÁGINAS

A problemática que orienta o trabalho de Regina Horta Duarte é o de considerar os espetáculos teatrais e circenses como manifestações importantes da vida cultural mineira do século XIX. Avalia a ressonância desses espetáculos através de notícias e anúncios de jornais, relatos de viajantes e de memorialistas, leis regulamentadoras dos espetáculos e de obras teatrais escritas no século XIX, relatórios dos presidentes da Província e da legislação mineira. Com o auxílio destas fontes analisa a visão que as cidades e a sociedade mineira teriam do circo.
É um dos primeiros trabalhos acadêmicos, que tematiza o circo, produzido na década de 1990, no campo da história. Pode ser considerado inovador, tanto pela escolha do tema quanto por sua discussão, que foge dos pressupostos clássicos dominantes nas ciências sociais, negando-se a discutir com conceitos pré-fixados relativos à cultura e à vida cultural. A autora atem-se às visões daquela sociedade sobre o circo, e como, com temor e fascínio, esta sociedade imaginava o seu modo de viver e recebia os circenses. 

Erminia Silva

(ver resenha)

 

O Fantasma do Circo
de Verônica Tamaoki

Foto capa Pierre Verger
             Massao Ohno e Robson Breviglieri Editores

Últimos exemplares

Preço – R$ 20,00 (incluindo postagem registrada )
Promoção válida para todo território brasileiro
          maiores informações vtamaoki@terra.com.br

O Fantasma do Circo não é propriamente uma narrativa de memórias, uma biografia, um romance histórico. Ao contrário, reúne todos esses estilos, dispersos em suas páginas, com objetivo de conduzir o leitor, com honestidade, a espiar o que vai pela coxia do circo e a difícil sobrevivência de seus artistas. É instigante acompanhar Tamaoki em sua aventura, uma verdadeira declaração de amor ao circo, com toda a sinceridade e entrega que a arte pede.

Valmir Santos

 

O Circo em Cartaz

Regina Horta Duarte 

Einthoven, Belo Horizonte (BH) 2002
24 páginas  

Para o historiador, poderia representar um obstáculo o estudo das experiências de homens e mulheres circenses do século XIX e início do XX, que sempre utilizavam (e utilizam) da tradição oral na transmissão de seus saberes e práticas. 

Entretanto, para Regina Horta Duarte, mesmo que represente um paradoxo para o historiador, primeiro que as “experiências circenses construídas a partir de linguagens não escritas” acabarem sendo pesquisadas em documentos escritos, que não provinham dos artistas, mas de críticas de jornais, leis e documentos de autoridades, relatos de memorialistas; e, segundo de que se analise aspectos do cotidiano circense, no qual a escrita tinha papel secundário, “a partir do que esses homens escreviam ao se dirigir à população”, é justamente nessa ambigüidade que “reside a riqueza dos anúncios, para a pesquisa histórica”.

É em torno deste enfrentamento com relação às fontes, da pesquisa histórica sobre os circenses e da leitura que Regina H. Duarte faz dos anúncios circenses nos jornais, que transforma as 24 páginas importante referência de leitura para aqueles que querem se aprofundar na riqueza que é a pesquisa sobre as atividades circenses, sob o ponto de vista da história. Através de uma análise das propagandas e cartazes publicados nos jornais mineiros no século XIX, a autora observa diversas outras linguagens não escritas contidas nos mesmos, apontando, inclusive, para a contemporaneidade dos circenses na utilização e apropriação dos novos recursos técnicos de publicidade jornalística, daquele período.  

 

Erminia Silva

 

Festa no pedaço 
Cultura Popular e Lazer na Cidade

José Guilherme Cantor Magnani 

Editora Hucitec-Unesp
Nas grandes livrarias ou pela editora hucitec@terra.com.br

Estudo que abordou as várias formas de lazer, entre elas o circo-teatro como uma forma de entretenimento e dramaturgia, de longa tradição tanto no interior do Brasil como nos bairros populares das grandes cidades, com pesquisa realizada na década de 1980. Procura entender as mudanças e transformações ocorridas no circo, não somente pelo viés econômico ou pelas influências ditas nefastas dos meios de comunicação de massa. Interessado, também, em compreender os valores, modos de pensar e agir da classe trabalhadora, em particular da periferia dos grandes centros urbanos, o autor não escolhe a fábrica ou manifestações reivindicativas dessa população e sim suas formas de entretenimento e lazer.

Ermínia Silva

 

O truque dos Espelhos  
(e outras histórias de pequeno artistas)

Plínio Marcos, 

Una Editoria.
Edição esgotada

Um brilharete, uma jóia este conto. Como em muitas das obras do autor, a história se passa num circo - foi no circo que Plínio Marcos iniciou sua carreira como palhaço e ator. No conto, o palhaço Frajola e o eletricista aspirante a mágico Chibah sonham com o sucesso, mas na real, colecionam fracassos. É muito engraçado, mas é  também trágico, cruel ao extremo.  O final é surpreendente, Plínio Marcos desfecha sua história com a engenhosidade de um truque de mágica. Imperdível.

Verônica Tamaoki

Salto Mortal

BRADLEY, Marion Zimmer 

Tradução de Maria D. Alexandre 
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. 896p.

Nas grandes livrarias ou pelas livrarias virtuais

            Mario Santelli e Tommy Zane são trapezistas que se amam, mas amam ainda mais a tradição que os envolve: o universo circense e o mundo particular das famílias de trapézios de vôos. E esse conflito permeia toda a história, passada nas décadas de 1940 e 1950 nos EUA. O que é mais impossível? Dois homens se amarem ou realizar o triplo salto mortal?
            Mesmo sendo todo ficcionado, a autora (a mesma de As Brumas de Avalon) elabora sua narrativa a partir de fatos, personagens e circunstâncias reais. Não é difícil, por exemplo, ligar o Circo Star (no livro sendo o maior circo americano, com três picadeiros) ao Ringling Brothers Barney & Bayle. Uma história fascinante, que revela não só o cotidiano do circo e seus artistas como o pensamento da época em relação a vários temas, dentro e fora do picadeiro.

Alex Machado

O Circo no Brasil

Antonio Torres

Editora Funarte e Atração prod. ilimitadas
Raridade nas  livrarias, tente a loja dos Parlapatões

Apesar das falhas o livro permite ao leitor perceber quão grande e diverso é o Circo Brasileiro

 

Alice Viveiro de Castro                                       

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